Igreja de Nª Srª da Natividade de Escamarão Igreja de Nª Srª da Natividade de Escamarão 41.066005, -8.257151

Igreja de Nª Srª da Natividade de Escamarão

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Apesar do seu caráter tardio, a Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão assume uma especial importância devido à sua implantação estratégica, na confluência dos rios Paiva e Douro.

Integrada no couto de Vila Meã, domínio do Mosteiro de Alpendorada, a povoação de Escamarão constituiu sempre uma atrativa zona de passagem à vista do próprio mosteiro, comunicando rapidamente quer com o Porto, quer com o Douro interior

A Igreja foi sagrada em honra de Santa Maria, segundo o costume monástico e no período moderno tomou a invocação da Natividade, embora no Censual de Lamego (século XVI, 1.º quartel) ainda se titule Santa Maria do Escamarão. Estava isenta de confirmação por ser vigararia anexa do Mosteiro.

Embora haja autores que defendam a precocidade desta edificação, assumindo-a como um testemunho edificado no século XII, coevo da doação do couto ao Mosteiro de Alpendorada, a inscrição em carateres góticos que se encontra ao lado do portal principal, remete a sua cronologia para finais do século XIV.

Igreja composta por nave única e capela-mor retangular, ambas definidas por maciços muros. Com exceção da janela gótica que rasga a parede fundeira da capela-mor e da pequena rosácea que ao nível da nave encima o arco triunfal, a iluminação do interior desta pequena Igreja é feita por estreitas frestas que se rasgam em ambos os alçados da nave e capela-mor. Vários autores a enquadram no chamado tardo-românico.

O portal principal e o lateral sul são rasgados na espessura do muro, não apresentando tímpano e as suas arquivoltas apoiam-se diretamente nos pés-direitos. Estamos, pois, diante de um edifício desprovido de suportes sob a forma de colunas.

Tanto o naturalismo dos motivos florais que ornam a arquivolta central do portal principal e a interior da janela gótica da capela-mor, como a forma quadrangular dos cachorros da nave e dos da proa da cabeceira concorrem para testemunhar uma cronologia tardia, algures por volta do século XIV.

Atente-se, no entanto, à persistência do formulário decorativo românico, conforme testemunham as pérolas que decoram as arquivoltas envolventes no exterior da janela da capela-mor e do arco triunfal.

De realçar a inscrição de carateres góticos que se encontra ao lado do portal principal. Apesar do seu caráter pouco legível, Mário Barroca propõe-nos a seguinte leitura: + : ERA : M : CCCC: XX : III […] / […] / […] / […] / […] / […] / […]

Sabendo nós que, por regra, a construção românica e gótica começava pela cabeceira, progredindo para a fachada, esta inscrição de Escamarão poderá indicar, mesmo que não explicitamente, que a conclusão da edificação da Igreja terá ocorrido na Era de 1423, ou seja, ano de 1385.

Na fachada sul, terá existido uma estrutura alpendrada de uma água que abrigava o portal lateral, conforme denunciam as cinco mísulas colocadas aproximadamente a meia altura das duas estreitas frestas.

No interior da Igreja impera o granito e o mobiliário litúrgico remanescente foi concebido já nos tempos modernos. Testemunhos vários informam-nos que existia, pelo menos até inícios do século XX, uma pintura mural nesta Igreja e que tem vindo a ser atribuída ao século XVI.

Aproximadamente da mesma época são os frontais dos altares colaterais da nave. Recorrendo à técnica de aresta, apresentam-se como painéis azulejares mudéjar, com policromia feita à base de ocres, verdes e azuis sobre fundo branco, formando composições padronizadas de motivos fitomórficos e florais, antecipando a moda dos azulejos tipo tapete que irão estar em voga no século XVII.

O retábulo-mor desta Igreja foi concebido dentro do chamado estilo nacional e, seguramente, antes de meados do século XVIII. Neste, podemos identificar as colunas espiraladas (pseudo-salomónicas) e as arquivoltas semicirculares.

Claro que é preciso ter em conta o caráter regionalizado e vernacular deste exemplar em talha nacional, aqui atestado pela policromia. Ostenta, ao centro e como remate, as armas da Ordem Beneditina.

Sobre os frontais dos altares colaterais encontramos sanefas neoclássicas que completavam um conjunto retabular da mesma época, mas que foi apeado durante as intervenções de restauro realizadas na década de 1960 a expensas da freguesia e que procurou acentuar o caráter medievo da Igreja.

Palavras-chave :
1800