Muralha das Portas do Montemuro Muralha das Portas do Montemuro 40.966575°; -8.008917°

Muralha das Portas do Montemuro

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A Muralha das Portas ocupa o lugar fronteiriço entre os concelhos de Cinfães e Castro Daire conhecido como Portas de Montemuro. Em Cinfães os vestígios da muralha encontram-se na atual União de Freguesias de Alhões, Bustelo, Gralheira e Ramires. Estando num dos pontos mais altos da Serra do Montemuro o arqueossítio encontra-se a cerca de 1220m de altitude, sendo as suas coordenadas geográficas (simplificadas) -8º00’15’’ Oeste e 40º58’12’’ Norte. O sítio foi decretado Imóvel de Interesse Público em 1974, aparecendo identificado na base de dados Endovélico com o CNS 637.

Tipologicamente pode-se considerar a Muralha das Portas como uma cerca/muralha de cronologia incerta situada num privilegiado ponto de passagem da Serra do Montemuro, com vista excecional para o Douro, o Bestança, o Paiva, a serra do Marão e até a serra da Estrela. A identificação cronológica e funcional do sítio tem sido um mistério ao longo das décadas, tendo já sido teorizado como castro, acampamento romano, castelo medieval e cerca de gado. O mistério deste arqueossítio é acrescido pelo facto de não existir nenhum estudo profundo sobre este (como uma escavação), e pelo facto de se desconhecerem quaisquer vestígios de superfície no local (excluindo as noticias de algumas inscrições, segundo a população local (PINHO, LIMA; 2000: 56)).

O monumento é constituído por uma grande cerca de pedra granítica com um perímetro superior a 1,50km, e que aproveita os acidentes naturais e os afloramentos graníticos a seu favor. Tendo os muros entre 2,5 e 3,5 metros de largura e 1,50m máximo de altura. Apesar de hoje em dia os únicos vestígios encontrados constituírem apenas a estrutura da muralha (e os alicerces de uma construção circular a sul), muitos autores como João de Almeida e Amorim Girão referem a existência de uma grande variedade de outros vestígios arquitetónicos (PINHO, LIMA; 2000: 55, 56).

Desde os anos 90 do séc. XX que se têm construído teorias mais prováveis para esta muralha, que se encontrar no lugar que conhecemos como Portas. Primeiramente, Arlando Rocha afirma que esta é uma obra inacabada, justificando esta teoria com a escassa altura da muralha e a existência de “montículos de pedra miúda a aguardar utilização” (ROCHA, 1992: 35). Concluindo que, possivelmente se tratará de uma obra da Alta Idade Média com finalidades defensivas (Idem, Ibidem: 40). António Manuel Lima parece ter a mesma opinião, caracterizando a Muralha como “o mais antigo reduto defensivo altimedieval” da zona do Montemuro (PINHO, LIMA; 2000: 55). Já Carlos Alberto Ferreira de Almeida, que primeiramente interpretou o sítio como sendo um “castelo-barragem” (ou seja, uma cerca colocada num local importante de passagem com fins defensivos), mais tarde, alterará a sua opinião. Afirmando que, esta seria uma cerca de gado comparável com outras do norte do país datáveis da Alta Idade Média (Idem, Ibidem: 2000: 56). Podemos então concluir que, a Muralha das Portas será uma construção pós romana, que provavelmente teria uma função defensiva ou agrícola. Contudo, para comprovar estas teorias seria necessário um estudo muito mais aprofundado.

No âmbito de prospeções relacionadas com o sítio, foi possível notar que existem 2 fortes pontos com muralha do lado de cá da linha de divisão municipal. O primeiro encontra-se a sul da EN 321, e trata-se de um pequeno derrube de muralha em conjunto com os alicerces de um outro ponto do muro mais a oeste. O segundo apresenta-se do lado norte da EN, e é constituído pelas fundações da cerca. Contudo, à medida que se segue a fundação é possível verificar que ainda existe uma boa parte do muro ainda de pé, a cerca de 50m. A vegetação neste ponto da muralha é, porquanto, bastante densa, indicando que, possivelmente, a razão de este troço se encontrar melhor conservado se prenda com facto de estar oculto pela cobertura vegetal - reduzindo assim a probabilidade do furto da pedra.

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