Castro das Coroas Castro das Coroas 41.057549, -8.051421

Monte das Coroas

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O sítio arqueológico do Castro das Coroas situa-se na freguesia de Ferreiros de Tendais, mais precisamente no lugar conhecido como Cabouco ou Monte das Coroas.

Trata-se, tipologicamente, de um castro (povoado fortificado) datável da Idade do Ferro (embora exista a possibilidade de uma ocupação da Idade do Bronze) e com apropriação pelo menos até à época romana. O sítio, embora seja desde sempre conhecido da população local, foi pela primeira vez identificado pelo engenheiro Augusto Miranda Pinto nos anos 70. Devido a um erro do IGESPAR o sítio foi registado duas vezes na base de dados Endovélico apresentando desta maneira dois Códigos Nacionais de Sítio (CNS).

Este povoado insere-se na chamada Cultura Castreja que se inicia no 1º milénio a. C., sendo uma das características desta, a implementação de povoados, normalmente fortificados, em cotas elevadas e numa posição estratégica com uma visão privilegiada sobre a paisagem que os rodeia – ou seja, com ótimas condições de defesa. É comum este tipo de povoados estarem nas imediações de cursos de água o que favorece a prática da agricultura, que, em conjunto com a pecuária, é uma das principais atividades económicas destas comunidades. Estas características estão bem visíveis no sítio arqueológico das Coroas, já que este se apresenta numa cota elevada (553m), numa excelente posição estratégica com vista privilegiada para o vale do rio Bestança (situando-se na margem direita deste) e para o rio Douro.

Segundo Luís Silva Pinho, o sítio arqueológico é constituído por quatro linhas de muralha que rodeiam o castro quase por completo, sendo que, a oeste, a estrutura defensiva é maioritariamente substituída pela encosta rochosa.

A área do sítio chega quase aos 6 hectares. Existem ainda vestígios de alguns torreões em aparelho poligonal, na 2ª e 3ª linha de muralha, mas é bastante provável que existam vestígios de estruturas habitacionais entre as muralhas. É também importante referir que existe a probabilidade deste aglomerado populacional ser anterior à Idade do Ferro, uma vez que foram encontrados, pelo arqueólogo Silva Pinho, materiais datáveis da pré-história (Idade do Bronze) (PINHO, 1997: 26, 27).

Durante a Romanização, que no atual território de Cinfães se terá iniciado por volta do séc. I, o Castro das Coroas, à semelhança do que acontece por todo o território português, terá também sido influenciado por este processo. Esta influência que se dá a nível cultural, linguístico e administrativo/legislativo veio alterar o modo de vida destas populações e tais alterações são também visíveis no registo arqueológico.

Segundo o arqueólogo Luís Silva Pinho o povoado das Coroas terá sido renovado e ampliado com a chegada dos romanos. Este, que os romanos passam a designar de castella (que por sua vez significa povoado fortificado), “terá tido ao longo dos séculos I e II, um estatuto urbano” (PINHO, 1997: 31). A influência e presença romana no castro é documenta por diversos vestígios arqueológicos, nomeadamente a grande quantidade de tégula aí encontrada, um forno cerâmico e o aparelho poligonal encontrado em troços de muralha. Foram ainda descobertos por Silva Pinho vestígios de superfície importantes como fragmentos de vidro Isings 3, cerâmica cinzenta fina, sigillata hispânica, fustes de colunas, um capitel e um silhar almofadado (Pinho, 1997: 31).

Junto ao Castro das Coroas passaria ainda uma via romana. Esta faria parte da estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Emerita Augusta (Mérida), que passava por Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses) atravessava o Montemuro e ligava a Viseu, Idanha e Cáceres. Quando a via chegava às margens do rio Bestança a travessia era feita, provavelmente de barco, até Porto Antigo, onde ainda é possível ver parte da calçada romana lajeada. Depois seguiria por Boassas, Lodeiro, Fundoais, Ruivais e por fim contornaria o monte das Coroas, continuando depois a sua travessia do Montemuro (LINO, 2013: 50; 51).

Há ainda a destacar a existência, junto ao castro, de duas furnas escavadas no saibro. Os dois monumentos de grandes dimensões, dos maiores já encontrados no Concelho, parecem ter tido uso habitacional e/ou agrícola. E é muito provável que tenham sido habitados desde a Idade Média.

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